Piloto - Côntoles
Ele não acreditava em Duendes (e quem realmente acredita?). Chá de cogumelo ele nem conhecia. Piloto de avião, 45 dias fora de casa, viagens a toda hora, não conseguia voltar para casa. Nos momentos ócios andava pelas cidades onde passava procurando um enfeite que substituísse… O duende do jardim…
Tinha que ser algo magnífico e caro, que encantasse a esposa, ela adorava aquele duende. Ele passou as horas vagas dos dias procurando, e nada. Na volta das viagens, 45 dias de saudades, encontrara a mulher grávida.
- Está de uma semana conclui o ginecologista.
- O senhor está enganado, esta criança tem no máximo 50 dias.
- Impossível insiste o médico são 37 anos de carreira e nunca me enganei com este processo. Queira me desculpar, mas você está errado.
- Pois preparee para sofrer seu primeiro processo em 37 anos de carreira, doutorzinho. Não é um vigarista como você que vai arruinar as coisas entre eu e minha mulher, seu vigarista.
Fica por isso, o médico não entende, desconfia, mas deixa pra lá. O piloto procura outro medico com quem se entende para fazer o parto do filho.
No dia em que a criança nasce, o pai visita e leva um presente para a mulher, o melhor agrado que ela poderia receber, mais um duende para o jardim. Com o nascimento do filho ele esquece as bobeiras e a implicância com os duendes.
Dentro do quarto, a mulher sorrindo com o filho nos braços, o pai abre o pacote de presente, mostrando para a mulher o que trouxe. Filho no braço esquerdo da mãe, ele coloca o novo duende no braço direito, demonstrando que seu preconceito fora embora.
Dando um passo para trás, mas sem tirar o sorriso do rosto o pai compara criança e duende, lado a lado, e nota que a criança apresenta as orelhas pontudas semelhantes às do duende e nariz rosa igual ao do velho duende do jardim. Silêncio e nenhum comentário, o sorriso foi mantido.
Ao chegarem em casa, na volta do hospital, o velho duende do jardim havia fugido. O piloto nota, mas não comenta nada. Ela faz que não viu nada.
A criança era linda.