Chaves
Sempre gostei das idéias de Chaves. Sua ideologia é inspiradora, suas lições de moral parecem nunca se desgastarem com o tempo. Assistir as falas de Chaves é ouvir frases célebres e que nunca ficam desatualizadas. Chaves é humilde e vive com o que tem. Chaves observa a vida dos vizinhos e dela sempre tira uma lição, uma diretriz de ação. São vizinhos ricos e pobres. Os que tem pouco são caloteiros, gente que não pode contar com a ajuda de ninguém, gente que vive com cobradores batendo às suas portas.
Chaves é querido pela vizinhança, sempre conta com a ajuda de todos. Chaves é lobista, Chaves sabe o que faz. Chaves provoca intrigas e sai de cena. Os peixes que se mordam. Chaves provoca os dois lados e se esconde em seu casulo para observar a peleja e rir dos grandes se bicando. Chaves é sarcástico, mas Chaves é humano. Dá conselhos, lições de moral, lições de humildade, de bom relacionamento. Se preocupa com o que acontece ao seu redor.
Chaves não tem medo de provocar, é destemido. Chaves enfrenta o dono do pedaço, aliás, aquele que acha que é o dono. (Aquele com cara de mal, que manda bater nos mais fracos. Um ignorante que não entende nada de política da boa vizinhança, um invejoso, pai de uma filha alienada, tapada e medrosa).
O que Chaves mais gosta é de se fazer de bom amigo do gordinho, ensinar ao gordinho tudo errado, mentir para o gordinho. Chaves é muito respeitado pelo homem do charuto, ouve o que o homem do charuto tem a dizer, concorda com o homem do charuto e às escondidas compartilha um charuto com o bom amigo. Se dependesse de mim, Chaves era presidente da associação de moradores!
- Mas Chaves já é presidente do país. – Disse um amigo ao ler as linhas acima.
Ai Caracas! Não estou falando de Hugo Chaves! Já disse que não escrevo sobre política. Eu estou falando do Chaves da TV, o mexicano, e não do presidente venezuelano! Não vou perder meu tempo escrevendo sobre um chantagista, um falso rebelde.
Rebeldes, por sua essência, são politizados e não políticos, não podem ocupar vagas de presidente! Líderes revolucionários não podem ser situação, isso tira toda a razão de ser um! Verdadeiros líderes de revolução querem lutar para que o país tenha um bom presidente, devem lutam para que o país seja bem representado, e se não for, lá estão eles, de fora, fortes e prontos para derrubar quem não corresponde com a expectativa da população e firmes para reivindicar por uma política mais transparente e benéfica.
Hugo Chaves está lá, à frente do governo corrupto de seu país, assim como Lula, como Fidel. Não admito líderes políticos da situação, atuando em um sistema governamental e se passando por rebeldes. Não são revolucionários, são falsificações repugnantes, cuspindo lições de moral para o mundo, mas vivendo com o alto salário de presidente. Comendo do bom e do melhor, morando bem, mantendo sua boa condição financeira, seu alto padrão e pregando retóricas com pitadas de socialismo morto enquanto posam com pinta de moços humildes.
Pena que o Chaves mexicano seja uma ficção. Bolaños não teve a pretensão de criar um Chaves político, mas um Chaves humano e é por isso que Chaves tem todas estas qualidades, por isso Chaves entende de humildade, de humanismo, de pobreza, de exclusão. Chaves (o que mora no barril) já teve a chance de roubar, de matar e de se dar bem às custas dos outros, mas ele é humano demais para passar em cima de qualquer pessoa para levar vantagens. Chaves é esperto e não espertinho ou espertalhão como os falsos líderes de la revolución.