MALDITO DIA
Maldita hora da manhã, pegar este ônibus lotado. Sem contar a atenção redobrada que tenho que tomar depois do dia em que chutaram minha carteira. - Infeliz, levou minha identidade e minha carteira de motorista vencida. - Também, este terno barato que me obrigam a usar chama a atenção dos urubus.
Passa o dia, vêm o almoço e corro para o banco ver o tamanho do furo na minha conta, estou lá na fila do caixa automático, do lado de fora da agência, pensando quanto vou precisar pedir de adiantamento na firma… De repente um cara me pega pelo braço e sai me arrastando e sussurrando: “Anda normal malandro, anda normal”. Quando senti uma arma nas minhas costelas, sabe o que eu fiz? Andei normal malandro, andei normal… Chegamos a um carro todo preto e o cara me joga para dentro. Umas cinco quadras dali o cara aperta a arma contra minha cabeça e me pergunta:
- Ondé qui é a agência mais próxima desse banco aí maluco? - Apontando para o cartão que ficou na minha mão.
- Eu sei lá… - Só digo isso, apavorado. Também pudera, nunca uso o banco pra nada, só para cobrir contas e me incomodar.
- Tu pára de sacanagem e fala duma vez rapá, fala aí onde qui é essa agência… - O cara começa a gritar.
- Eu sei lá…
Mas nessa gritaria, eu apavorado, já pensei que ia morrer quando eles descobrissem que pegaram o cara errado no lugar certo..
Bem, depois de umas coronhadas na cabeça, uns socos no estômago e alguns quilômetros rodados, os caras descobriram que eu era um duro mesmo e me jogaram para fora, com o carro andando. Me ralei bastante…
Dando graças a Deus de ser liberado do seqüestro relâmpago, levantei olhando o mato de todos os lados, mudei de idéia, e gritei, pedindo para eles voltarem. Em trinta segundos, do meio do mato, vejo uma luz se aproximando e um carro em alta velocidade. Paro no meio da trilha e faço sinal para eles pararem, mas eles não param, era uma família perdida e com medo de assalto o pai motorista me atropela, quebrando minha perna direita. Fiquei rolando no chão… Dois minutos de dor e passa uma van que pára ao meu lado, dois caras desesperados descem e me colocam para dentro, um encosta outra arma em mim e me manda ficar ‘quietinho’.
Outro liga do celular e começa a negociação:
- Alô. Capitão Armando, temos um refém no carro. Não fale nada, só escute. Temos um refém e não vamos nos entregar. É um executivo de uma multinacional que mora em Alphaville. Vamos matá-lo caso não parem de nos seguir. Ligo para você novamente assim que nosso acordo for respeitado por vocês. Tchau capitão. - e desligou.
- Quem é você?
- Ninguém.
- Como veio parar aqui?
- Nossa… Eu… Putz…
- Pára de gaguejar rapaz, tá na cara que você é da polícia. De terno no meio do mato e se fingindo de machucado no meio da trilha.
- Eu não sou…
- Mas é o seguinte, você quis sacanear a gente e entrou numa roubada seu polícia. Eu vou te matar e jogar seu corpo de cima do avião, assim que conseguirmos decolar.
- Alô - ele liga novamente para o Capitão Armando - É isso aí Capitão, não ouço mais as sirenes, acho que nosso acordo foi feito com segurança. Vou devolver o refém perto de algum telefone e deixar seu número com ele para vir buscá-lo. Tchau Capitão. - e desliga novamente.
- Sabe de uma coisa seu policial do caramba, não vou te matar porque você precisa viver para sofrer um pouco mais. - E já acostumado com a rotina levo alguns socos e ponta pés, desta vez sem coronhadas.
A Van entra em uma rua de asfalto e os caras me chutam para fora. Me ralei mais um pouco. Junto comigo jogam um pedaço de papel com o telefone do Capitão. Conforme combinado, em frente a um telefone público. Peguei o papel e fui até o telefone, disquei.
- Alô, Marlise? Oi Marlise, que bom falar com você! O Doutor Augusto está? Ah sim, reunião. Avisa ele que não vou pude chegar no escritório na parte da tarde, mas amanhã eu levo um atestado médico. - desligo.
- Alô, é do pronto socorro? Por favor, tenho uma urgência. Endereço? Espera aí…