Monday, November 7, 2005

Revolução dos Porcos

Foi um tumulto só quando os porcos resolveram convocar todos os outros bichos da fazenda para uma reunião. A pauta: derrubar o sistema atual, onde os bichos mais fracos eram oprimidos e obrigados a cederem aos luxos dos bichos mais fortes, os homens da elite, que governavam a fazenda e moravam na casa principal.

Luiz Inácio do PT, o Partido do Toucinho, era o líder dos porcos e líder da revolução que estava prestes à começar. “Companheiros, nossa luta começa agora, vamos derrubar este sistema dominante. Estes homens que dominam nossa fazenda não podem continuar com estar emporcalhação! Não podemos ceder às regras deste modelo social imposto aqui na fazenda. Estamos trabalhando para estes porcos, digo, idiotas e recebemos o que? Espigas de milho!!! Peço aqui a ajuda de você para organizar esta semana uma eleição para escolhermos quem é que vai governar esta fazenda. Prometo que no meu governo vou acabar com esta porquice toda. Vou redistribuir as rendas desta fazenda. Todos vão ter a oportunidade de ganhar mais, ninguém vai passar fome e todos vão saber para onde vai o dinheiro que os homens daquela casa recebem pelos nossos produtos, pois apresento para vocês meu braço direito, o ministro da casa, José Disse-Eu. E para ajudar a administrar essa pocilga aqui, apresento para vocês o ministro da fazenda, Antônio Pacotti. Companheiros, o Partido do Toucinho foi feito para vocês, trabalhadores que merecem uma fazenda melhor. Companheiros, nesta eleição votem no PT!”

Depois de uma calorosa chuva de aplausos, os macacos da fazenda foram falar com os homens da elite para propor a eleição. Certos de que os porcos do PT não ameaçavam em nada o governo dos homens, eles toparam realizar as eleições. Queriam ver os porcos se lambuzando com a própria lama e chafurdando no caos administrativo que criariam para eles mesmos. Os homens da elite acreditavam que, na próxima eleição, após quatro anos os bichos votariam nos homens novamente para que voltassem a assumir o controle da fazenda.

Realizadas as eleições, os porcos do PT ganharam o aval dos bichos para que assumissem o poder da casa e da fazenda. Resultado: os porcos transferiram a pocilga para dentro da casa e começaram a dividir entre eles os toucinhos que começaram a aparecer. Lambuzaram-se na própria merda. Cada porco começou a roubar o que podia e a comprar os outros porcos para ficar tudo como está. Para os outros bichos a coisa piorou, as espigas de milho de antes agora vinham sem os milhos (que eram comidos pelos porcos) e só sobravam os sabugos, que os bichos não sabiam onde enfiar. Como disse o burro: “Zaratustra falou algo como: ‘Ao líder só falta o poder para que vire um corrupto como os outros’”.

Bem, a fazenda continua uma pocilga como sempre foi, nada mudou. A diferença é que os homens da elite pagaram um tal de Rouberto para ir até a fazenda e colocar a boca no trombone, contando para a fazenda a porquice do PT. Os bichos como sempre, após as denúncias do Rouberto, não sabem o que fazer e estão divididos. Eles acreditam que a salvação da fazenda está nas mãos de uma facção de porcos revolucionários que resolveram fundar um novo partido, o PSOL, Partido dos Suíno Opositores da Lama. O burro anda falando que revolucionário de verdade luta para que um bom governante assuma o comando e não para que o próprio revolucionário assuma. Eu acho que pensar assim é burrice.

O discurso do PSOL me parece muito interessante, estão prometendo acabar com esta porquice toda. Vão redistribuir as rendas da fazenda e todos vão ter a oportunidade de ganhar mais, ninguém vai passar fome e todos vão saber para onde vai o dinheiro que os porcos daquela casa recebem pelos nossos produtos.

Pelo menos, o discurso é novo.

Pato Brasileiro
Operador de Telemarketing

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Monday, October 17, 2005

No cruzamento das Marechais

Ele relatou o caso à Gazeta na semana passada, mas o Jornal achou melhor não publicar. Uma porque a história é sim um pouco esquisita, outra, porque nenhum repórter teve coragem de ir até o local para comprovar. Saudades do Caco Barcelos.

Eram 15 horas da terça-feira, o Otávio passava rápido por ali, estava saindo de um cliente e indo para outro, um pouco atrasado. Frio como sempre, o Otávio de terninho marrom e sua inconfundível pastinha surrada de vendedor. Cruzamento das Marechais, sinal vermelho para os pedestres e o Otávio atravessou a rua correndo, olhando para trás com medo de morrer ali mesmo, na frente da loja de fotos. E foi por correr olhando para trás que o Otávio não viu onde caiu, despencou uns 4 metros para baixo. Durante a queda amaldiçoou o sem vergonha que havia deixado o bueiro aberto, na certa foi almoçar e deixou o buraco ao léu. Mas no principal cruzamento da cidade? Maldito.

É incrível o poder que temos de pensar tanta coisa em tão pouco tempo, o Otávio relatou que durante a queda, além de xingar o suposto infeliz que deixou o buraco aberto, ainda lembrou que depois do expediente tinha que passar no mercado comprar uns 10 itens para a patroa e que ao invés de estar em queda livre naquele momento, ele deveria é estar na Boca engraxando o sapato que há semanas estava numa caca só, tudo isso ele pensou em apenas dois segundos. Mas a questão é que o Otávio caiu de bunda no chão e não como nos filmes, onde os bueiros são cheios de água, o que amorteceria o impacto da bunda.

Em pé novamente, o Otávio olhou para o buracão lá em cima e viu as nuvens passando no céu nublado. Não havia onde se agarrar para subir, o negócio era seguir em frente e achar uma saída. Ele conta que estava sentindo um calorzão danado, não sabia bem se era a soma da raiva com o impacto ou se as galerias subterrâneas é que eram realmente quentes. Caminhando pela galeria, seguiu em frente, imaginou que estava caminhando em direção à Praça Osório. Não havia nenhuma conexão, nem escadas, só restava caminhar no tubo fechado. O tubo parecia ser feito de Inox, bonito, muito brilhante. Um luxo para ficar debaixo da terra.

Cinco minutos de caminhada e o Otávio, graças a Deus, encontrou uma porta à esquerda. Ele abre a porta procurando uma saída, e lá está o que ninguém quis averiguar. Ele relatou que o calor que vinha de dentro da porta era realmente infernal, mas não era insuportável, tanto que o Otávio entrou porta adentro, sua única opção no momento, já que o tubo principal não tinha outra saída.

Bem, da porta surgia uma escada de marinheiro dourada, enquanto ele descia, olhava para baixo, mas parou quando notou que aquela sala gigante parecia um lounge. O ambiente tinha luzes vermelhas fracas e um som alto de música eletrônica vinha do outro lado da parede oposta, lá no chão um jogo se sofás vermelhos em formatos exóticos e mesas de centro, além de copos com bebidas espalhados pelo local. Ele ficou ali parado. “Subo ou desço? Ai caracas, que lugar é esse?”. De repente, a porta se abre e o som de música eletrônica invade a sala, o Otávio ali paralisado, segurando a sua pastinha. Labaredas de fogo saíam da porta e entravam na sala até que a porta foi fechada.

Entrou na sala o maior cara que o Otávio já viu na vida dele, musculoso e sem camisa, parecia uma caricatura. Ele e mais dois camaradas de terno preto. O Otávio jura que o cara era vermelho, mas eu acho que era a luz do lugar que dava um efeito especial. O cara grande sentou no sofá e começou a falar com os outros dois. O Otávio jura que o cara grande tinha um rabo pontudo, mas na situação dele, até eu teria estes delírios. Durante a conversa, um dos caras abriu uma maleta cheia de dinheiro e empurrou para o lado do grandão. O Otávio jura que o cara vermelho tinha dois chifres na testa, mas eu já fui em raves e sei como esse povo se veste, o Otávio é que é um ultrapassado e não conhece o comportamento dos jovens.

Após uma breve conversa, o cara sem camisa fechou a maleta e apertou a mão dos caras de terno. Ele levantou, pegou da frente do sofá um tridente (o Otávio é um pouco exagerado, chamar bengala de tridente) e voltou com a maleta para a sala das labaredas. Os caras de terno levantaram logo depois e seguiram na direção oposta. Saíram por outra porta.

Assim que todos desapareceram, o Otávio subiu correndo a escada e voltou para o tubo. Começou a correr na direção que ele achava que ficava a Praça Osório. Parou de repente quando viu outra escada dourada e um clarão lá em cima. Não pensou duas vezes e subiu pela escada. Vinte minutos de subida e o Otávio saiu dentro de um banheiro, do lado de uma privada. Entrou no banheiro e fechou o buraco de onde ele saiu com duas lajotas que estavam do lado. Abriu a porta do banheiro e viu que estava dentro do Shopping Cidade. O Otávio voltou para dentro do banheiro, tirou a sujeira do terno e da pasta. Lavou o rosto e as mãos e ajeitou o cabelo. Saindo novamente do banheiro, lembrou de um cliente que tem uma loja dentro do Shopping. Aproveitou que estava ali e foi fazer uma visita para o cliente. O Otávio é um vendedor atencioso.

A Gazeta não quis publicar, mas eu prometi para o Otávio que publicaria. Se alguém puder ir até o local e confirmar a história, favor me avisar. Sempre é bom ter um segundo ponto de vista. O Otávio só pediu para avisar que ele voltou ontem no cruzamento das Marechais para olhar o buraco, mas segundo ele, não tem buraco nenhum.

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Wednesday, September 7, 2005

No meio do caminho (a narrativa) __ Côntoles

Lei da ação e reação. A ação: um fator simples. No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. Tinha uma pedra. A reação: não demorou mais de um centésimo de segundo, mas com uma complexidade incrível e a finalização perfeita. Uma reação inesperada vindo de um ser com retinas tão fatigadas.

            Começou com a pele do dedão do pé que ’sentiu na pele’ o acontecido e resolveu pedir uma solução para o cérebro, o dedão queria uma resposta, uma reação à altura da topada. A pele transferiu a informação do acontecido para o nervo que ouviu com atenção qual era a necessidade do dedão. O nervo, como um telégrafo, mandou uma mensagem pela sua extensão que aproveitou o sinal aberto e entrou pela via direita da perna esquerda, passou pelo quadril e por todo o corpo, não demorou mais que milésimos de segundo para fazer todo o trajeto. Conforme a solicitação do pé, o nervo passou pelo coração para perguntar sua opinião, anotou a sugestão de resposta, agradeceu respeitosamente e continuou seu trajeto. Subiu, subiu, subiu e chegou até o pescoço, procurando por um tal de ‘cérebro’. O nervo, muito calmo, não quis atrapalhar o trabalho do órgão pensante, por isso entrou em contato com pouco mais de 100 bilhões de células nervosas explicando rapidamente a situação e elas tiveram a incumbência de comunicar com clareza aos neurônios, funcionários do cérebro, o que havia acontecido. Não se sabe como, mas a informação chegou aos neurônios completíssima e eles começaram entre eles um trabalho incrível de emissão de raios muito loucos chamados de sinapses elétricas (isso muito ao som de muito rock ‘n roll).

No momento da aprovação da proposta com o cérebro os neurônios ouviram a resposta de sempre: “esses assuntos sentimentais são com o coração, o que ele aprovar, para mim está bom”. Então os neurônios juntaram ao dossiê a sugestão sentimental do coração, a aprovação (?) do cérebro e um resumo da conversa que tiveram com o ouvido para ver o que ele havia escutado por aí sobre o assunto.

O pessoal formou um pacote com a resposta a ser dada, caracterizando assim uma ‘reação’ à ação efetuada lá no pé. (Tudo desenvolvido sob pressão e em milésimos de segundo). O pacote de informações foi embrulhado para viagem em papel reciclável e de fácil abertura. Destinatário: Sr. diafragma.

O pacote foi devolvido ao nervo (espécie de motoboy orgânico), que colocou o pacote desenvolvido, a partir dos raios elétricos emitidos pelos neurônios, em um lugar seguro e encarregou-se de transportar a importância até o local de entrega.

            Desta vez, sem precisar viajar por todo o corpo, o nervo pegou um atalho, fazendo um caminho mais curto, pegou a aprovação final do coração e chegou até o diafragma, sem trânsito, onde dali o pacote seria lançado como um foguete para chegar ao destino no tempo ideal. Tudo isso em milésimos de segundo.

            O diafragma juntou todas as suas forças e de peito estufado deu um toque para os pulmões, tipo: “Vamos botar para quebrar” ou “Rock and Roll Baby”, sei lá, sei que o sentimento era esse. O pacote foi aberto pelo diafragma e a encomenda se espalhou de forma ordenada, formando a seqüência perfeita conforme o coração havia aprovado. O diafragma impulsionou tudo para cima, só não sei dizer se foi enviado via laringe ou faringe, mas sei dizer que chegou no lugar certo sem perder a força. As cordas vocais afinadas treinaram antes de entrar em ação e após terem certeza de que a resposta estava pronta para ser emitida elas mandaram o sinal.

A garganta empurrou como uma mola, a língua contorceu-se como deveria ser feito. A sincronia entre mandíbula, língua e lábios foi um trabalho extremamente profissional, coisa de quem trabalha junto há anos. E deu no que deu, o pacote criado pelos criativos neurônios formou a reação perfeita como resposta à topada da pedra, e a voz, que faz dupla com as cordas vocais, encarregou-se de finalizar o trabalho perfeitamente.

Todos aguardavam com expectativa quando a resposta saiu pela boca e tomou o exterior de modo fantástico, tudo conforme planejado. Todos tinham a certeza de que a solução criada para responder a topada na pedra era a resposta perfeita para a situação. E tudo o que você acabou de ler foi baseado em fatos reais e não demorou mais de um centésimo de segundo, até que, no momento em que o dedão do pé já começava a doer, a resposta criada pelos neurônios saiu pela boca do humano:

-         Filha da puta!

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Tuesday, August 23, 2005

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Monday, August 15, 2005

Cansei - Côntoles

Foi eleita a igreja mais bonita da cidade, voto do povo. Tinha o altar mais lindo já visto pelos olhos dos habitantes daquela redondeza, uma verdadeira maravilha celestial. O filho do onipotente, onipresente, onisciente, e essa coisa toda, estava lá, no altar, entalhado em pedra, como uma bela escultura medieval ituana. Era gigante, tinha mais de três metros de altura, robusta passava a sensação real, do inimaginável, do poder representado por Ele. Nada de pregar o cara na cruz ou entalhá-lo fazendo expressão de dor, era uma escultura fantástica, que flutuava sobre o altar, abençoando o rebanho que comparecia diariamente.

 

Naquele dia a missa foi normal. Hinos empolgantes, violões desafinados, garotas em coro, enfeitadas como em noite de gala, cantavam uma missa nos conformes.

 

Já estava no sermão, salientando o que havia lido anteriormente. Esclareceu o trecho “a pedra lançada por Pedro na noite da reunião com o louvado”. Deixou claro que essa era uma mensagem do divino, na qual podemos extrair uma lição de vida, “todos os medos da humanidade representam uma ligação com o passado representado pela pedra” e, portanto, “não deixem sua pedra cair”, repetiu o sacerdote doze vezes durante o sermão. Cada vez frisava e exaltava mais a necessidade de segurar a pedra para garantir um futuro abençoado. Tudo caminhava normalmente, o sermão chegava a um final perfeito. O Credo já estava para começar e a frase “todos em pé” estava para acordar os fiéis que teimavam em dormir ao longo da pregação, foi quando algo aconteceu.

 

O estrondo foi forte, o piso tremeu, as paredes atrás do altar resistiram, os fiéis ficaram sem reação. Foram três segundos assustadores, em que ninguém saiu da igreja. Quando alguns viram, começaram a se ajoelhar e a rezar, outros choravam e outros pensaram viver um pesadelo. A estátua de pedra caiu em pé no chão, levantou levemente a cabeça, olhou para o sacerdote e disse rápido e em voz baixa: ‘cansei’. Após declarar esta frase enigmática, saiu pela porta atrás do altar, dirigiu-se até um quartinho localizado nos fundos da igreja, deitou-se em uma cama de solteiro e descansou um pouco.

Conto escrito com três mãos: Duas minhas e uma do Felippe Motta (www.literaturadebordel.blogspot.com

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Wednesday, July 13, 2005

Tsunami de Merda! - Corônicas


 

 

O Brasil está podre!

Não sei o que dizer. Só sei que o país está podre e entupido. Estou me sentindo um(a) banana abandonado(a), dentro de um sifão entupido, estou aqui dentro, acompanhado de restos de comida podre, detritos fedorentos e coliformes em decomposição. Tudo ali parado enquanto mais merda vai sendo jogada em cima e o fedor vai aumentando.

            Tapem o nariz, o cheiro está forte minha gente. E chega de culpar o Rio Tietê, o colega do lado ou a banana estragada, já descobrimos que não é nada disso. A questão é que o país está podre mesmo e o tsunami de merda está cheirando muito mal. Ninguém notou porque não é de hoje, já nos acostumamos com o cheiro e a culpar o Tietê e o colega por causa do cheiro ruim. Mas agora está explicito, o cheiro vêm da região do cerrado e da caatinga. Você acha que o nome da vegetação é coincidência? Nada disso. É Caatinga de fedor mesmo!

Não tínhamos notado de onde vinha este cheiro maldito, porque na verdade, os cheiros ruins sempre fizeram parte das nossas vidas, pois peidar, todo mundo peida. Eu peido, você peida, o presidente peida, mas CARACAS, para cagar nas calças deste jeito, só mesmo sendo político ou empresário! E brasileiro peidando não é nada de mais, porque como diz o velho ditado, o que é um peido para quem está cagado?

            Veja o tamanho da onda de merda mexida nos últimos 30 dias. Os correios, o mensalão, a Schincariol e agora a Daslu. (por falar em cagar, fiquei imaginando que chique deve ser o banheiro da Daslu, deve dar até dó de usar). Nossa! Olha a merda, a Daslu invadida por 250 policiais acusando o lugar de sonegação de impostos e contrabando. Só faltou falsificação. (?). Cagada total. Eu tô cagando de rir, mas não sei o que dizer. É muita merda. Só sei que me sinto assim mesmo, parte da podridão dentro de um sifão podre e entupido.

            E não fico constrangido de falar não. Está tudo uma merda! Está tudo cagado! Está tudo podre! Está tudo em decomposição! Está tudo uma bosta! Pois é isso mesmo. Podre e fedorento, é como estou me sentindo no meu país. O BRASIL ESTÁ PODRE.

            E quando você estiver em uma roda de amigos ou uma reunião de negócios, acabou esta coisa de dizer: “Com licença, preciso ir ao banheiro”. Nada disso, não precisa ficar com vergonha não! Pode dizer com todas as palavras: “Dá licença que eu vou cagar”. É isso minha gente, os caras estão cagando em praça pública, dentro de lojas chiques, dentro dos tonéis de cerveja, dentro das urnas de votação, dentro daquelas meias-luas do palácio, dentro das obras do Niemeyer e em cima das nossas cabeças. Se eles não têm vergonha de cagar em tudo que é lugar, você vai ter vergonha de cagar no banheiro? Nada disso! Acabou o constrangimento. Cagar no banheiro é normal e respeitoso.

E agora dá licença que eu tenho que dar uma cagada também. Até mais.

 

             

           

           

           

 

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Wednesday, July 6, 2005

A maior bactéria comedora de carne humana do mundo! - Corônicas

A TV brasileira é realmente uma comédia, dos programas à alguns comercias, digo isso incluindo os comerciais que eu produzo e o programa que vou produzir um dia (quem sabe), tudo apresenta o mesmo padrão ridículo e de péssimo gosto. Mas, o povo gosta, fazer o que. Pão e circo minha gente. (Pão?).

Na realidade os canais internacionais que vemos por aqui são idiotas também. O japonês parece tão ruim como os nossos, o português leva a fama da nacionalidade ao pé da letra (piada infeliz).

Bem, mas na verdade não é disso que quero falar e acabei escrevendo todas estas bobagens sem necessidade – apesar de verdadeiras – para chegar onde eu quero. Pois cada vez que ligo a TV em algum canal aberto, o que vejo é no mínimo ridículo, é rir para não chorar. (Velho chavão).

A TV Record sempre foi um canal bem conceituado para mim na questão programação, pois eu tinha a crença (amém) de que os bispos não aceitavam qualquer merda na programação. Pois bem, a vida nos prega peças e o mundo dá tantas voltas… Translação, rotação…

Eu já achava ruim pra caracas o programa do Guiness (o qual sou obrigado a assistir aguardando o começo de O Aprendiz 2), mas desta vez a superação foi campeã. O Guiness levou esta semana para o lar dos brasileiros a apresentação da: “Maior bactéria comedora de carne humana do mundo”!!!! CARACAS!!! Isso me rendeu algumas lágrimas salgadas de risada por alguns, seguida de minutos de frustração pelo sensacionalismo sem dó comum da mídia brasileira. As imagens eram nojentas, meudeusdocéu, pessoas comidas pela maldita bactéria. ¼ do corpo de uma pessoa sumiu, tipo, em uma semana! Argh! A coisa chama ‘Gloucertershire’, se você quiser saber. E eu estava lá, em frente à TV assistindo as imagens sem nenhuma tarja de censura ou tentativa de amenizar o impacto no espectador. E no final da matéria nojenta, entra o locutor todo empolgado com a notícia: “Por isso, ela entra o livro dos records como a maior bactéria comedora de carne humana do mundo!”. Isto é in-crí-vel. E para minhas risadas não cessarem, entra a apresentadora Maria Cândida no final da matéria. Sorridente e simpática ela conclui a magnífico do incrível record da bactéria gulosa.

Digerindo esta informação sobre a coisa que digere gente, pensei que talvez este record possa ser questionado. Pela sua raridade, estimo que esta bactéria não tenha comido mais de seis milhões de pessoas inteiras no mundo. Peço perdão ao Guiness World Records pela correção, mas Adolf Hitler consumiu seis milhões de pessoas, (voz do locutor do programa) sendo assim, ele bate mais um record! E Hitler passa a ser A MAIOR BACTÉRIA COMEDORA DE CARNE HUMANA DO MUNDO!

Acho que o pessoal do Guiness precisa pesquisar mais… Mas também, acho que a bactéria, atual detentora do record, dá mais audiência para o programa de TV, é mais nojenta e parecida com a nossa programação. Afinal, se a TV Record fizer programas com fatos históricos em sua programação, quem vai querer ver? Queremos circo. E comparando as coisas, até mesmo Anne Frank preferia ter conhecido uma Gloucertershire a ter conhecido o nazi matador.

 

 

 

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Tuesday, June 21, 2005

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Thursday, June 16, 2005

Brasil, meu Brasil brasileiro - Corônicas

Acaba de ser criado no Brasil um novo jeitinho de resolver os assuntos complicados como: crime, roubo, corrupção, qualquer problema deste tipo ou quando ocorrem todos ao mesmo tempo. A ciência política brasileira, a qual tecnicamente vamos chamar de ciência (pois não deixa de ser), descobriu uma estratégia de fácil aplicação e execução.

            Com a complicação de julgamento e conclusão destes casos, fica decidido que no Brasil ‘todos os casos serão julgados pelo próprio réu’. CARACAS! Como ninguém tinha pensado nisto antes. É lógico! Quem melhor que o próprio acusado pelo caso para julgá-lo. Isso é muito claro, o responsável pelo desfecho do problema é quem sabe dizer o que aconteceu. O Juiz estava lá? O promotor estava lá? O senador da oposição estava lá? NÃO, NÃO, NÃO!!! Quem sempre está presente no ato do remate são: o executador ou o ladrão ou o ‘cientista’ ou o corrupto e, é claro, as vítimas. Mas as vítimas estão envolvidas emocionalmente no caso, sendo assim, não podem julgar nada. (Ponto).

            Bem, fica claro cientificamente para todo mundo que, a melhor pessoa, a mais legítima, para julgar um caso criminoso, é o próprio autor do epílogo de qualquer episódio infeliz. Levando em consideração os fatos apresentados pelos estudiosos da ciência brasileira, eu também concordo.

            Ah, isso vale também para qualquer tipo de CPI.

 

 

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Thursday, June 2, 2005

Pra não dizer que não falei de flores - Corônicas

Toda semana que abro uma revista ou um jornal na parte de política, não posso deixar de pensar: “Meu Deus, que desperdício de folhas e tinta! Porque não usaram estas folhas para falar do lançamento de um CD ou de um livro? Ou talvez falar de flores, sei lá…”. CARACAS! Eu não entendo nada de flores, aliás, entendo de flores o mesmo que entendo de política. Creio que você está na mesma. Ou você trabalha na política ou você não entende nada, assim como eu, digo de política, não de flores.

            A verdade é que não quero falar de política. Não, não. Não quero perder meu tempo tecendo comentários e críticas sobre esta bagunça. Falar que o governo está ‘atrapaiado’, que o partido da situação está divido e não se entende ou se o FH é melhor que o nine fingers, se está certo o FH comentar o governo sem estar nele atualmente, se os problemas atuais são culpa de FH ou do novo presidente atual. Não quero saber em quem você votou, eu deveria ter votado nulo. Não vou tentar compreender o raciocínio do Palocci (escreve-se com dois “c” e pronuncia-se como “t”, entendeu?) e porque ele não se entende com o Dirceu. Céus! Não, não e não. Não vou escrever sobre estas coisas.

            Não vou tomar seu tempo falando dos problemas atuais do governo porque, na verdade, o que podemos considerar problemas atuais? Mandando cartas para mamãe eu ajudei no esquema de fraude dos Correios? Neste caso, que é o cúmplice, eu ou a minha mãe? O problema Severino é castigo, sarro ou masoquismo político? Ele é problema ou oculta um problema? Quem mais é problema? Polícia é problema ou solução? Política soluciona ou causa problemas? Qual a diferença entre anarquia e política brasileira? Os economistas do político entendem o que estão falando ou leram isso no New York Times? Os políticos são todos ‘Genoinos’, ninguém é cópia de ninguém.

            E mais pessoal! Não vou falar de política aqui não! Isso porque eu não sei se o que aparece na TV é verdade ou não. Veja a Luana Piovani (que coisa), na TV ela é maravilhosa, mas e pessoalmente ela pode ser feia. Com as atitudes do governo deve ser pior. Elas já parecem péssimas na TV, agora você imagina pessoalmente! Deve ser um horror, a TV esconde muita coisa mesmo…

P.S.: Como critiquei as revistas e os jornais, não vou ocupar meu espaço falando de política e pra não dizer que não falei de flores, copiei um texto na Internet sobre as orquídeas, pois como já disse, não entendo nada de flores. “Troque a água do seu vaso no máximo a cada dois dias, retirando folhas mortas e cortando um pouco o talo das flores na diagonal. Pingue algumas gotas de água sanitária na água do vaso, para evitar a proliferação de bactérias, que vão causar mau cheiro e diminuição do viço e beleza de sua flores. Se suas rosas estão caídas e sem vida, mergulhe-as completamente em água por duas horas, e você vai literalmente “ressucitá-las”. A aspirina também pode ser dissolvida na água das flores para conservação. Mas use moderadamente, apenas um comprimido por vaso. Flores com talos ocos, como amarílis, delfinos, dálias; requerem um truquezinho especial. Vire a flor de cabeça para baixoe preencha as hastes ocas com água, até que estejam completamente cheias. Em seguida tampe com um chumaço de algodão. Para eliminar pequenas bolhas de ar que tenham se formado no interior da haste, perfure delicadamente o talo, logo abaixo da flor, com um alfinete. Para conservação de arranjos, onde as flores estão fixadas em espuma floral, você deve regar a base do arranjo a cada dois dias, tomando o cuidado de não colocar água demais e saturar a espuma. Diariamente pulverize um pouco de água nas flores.
Fonte: www.floriculturamarajoara.com.br”

 

 

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